Diversos, Instalações Rurais

CRIAR COM QUALIDADE.

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Estou muito preocupado com a crescente produção de embriões, algo que fatalmente trará sérios prejuízos a todos, principalmente para a raça Quarto de Milha. Como a maioria de nós bem sabe criar animais de qualidade tem suas particularidades próprias: os cruzamentos têm que ser planejados de modo a potencializar as boas características das famílias envolvidas. Para tanto, a égua ao ser eleita doadora tem que merecer difundir seu gene, imprescindível suas duas primeiras mães terem sido boas atletas ou produtoras de animais competitivos. O ideal é que as três gerações (mãe, avó e bisavó) sejam produtoras comprovadas.

Via de regra: de cada 10 éguas cujos pais são vencedores, somente duas foram boas atletas ou tem famílias maternas que justifiquem a seleção para o time de doadoras. Elas podem ser matrizes (carregando no ventre o seu próprio produto) até que provem serem boas mães através dos filhos em competição, daí sim, merecerão propagar seus genes.

Não é raro encontrarmos companheiros que se mostram felizes por sua éguater lavado três, quatro ou até mais embriões em uma única temporada. Meu Deus, ela deve ser excepcional para merecer tamanha regalia!

Se não acordarmos a tempo, todo nosso compromisso com a excelência da qualidade – trabalho de anos, irá por água abaixo, pois o decréscimo da qualidade do plantel brasileiro será fatal!

 

Deixando a paixão de lado e pensando economicamente, fica fácil fazer a conta: enquanto um animal bom, você vende por cerca de R$60 mil, um não tão bom será vendido por R$20 mil. Ambos vieram do mesmo ponto, ou seja, apresentam custos iguais. Portanto, se você criar dois medianos, então terá o dobro do gasto para um valor de venda dos dois juntos, ainda menor do que o bom. Com este cálculo, fica nítido que se você criar e vender três potros “do meio” para fazer o faturamento do “ideal”, as chances de perda são enormes, haja vista que quando você cria o bom, você aumenta a probabilidade de produzir um excepcional, que certamente valerá acima de R$100 mil. Isso é inversamente contrário quando você não se preocupa com a qualidade genética e faz uma porção de potros ruins, ficando sujeito a fazer vários cavalos inferiores, que serão vendidos por soma irrisória, fazendo com que você nem recupere o capital investido.

Vocês que estão começando a pouco tempo fiquem atentos, não se entusiasmem com os preços que veem na TV, criem muito pouco, com muita qualidade genética e bem. Quero dizer com ração, alfafa, pasto, água, mineral, suplementos, veterinário, casqueador, tudo de excelente qualidade, em resumo, se teu potro não custar em torno de R$25 mil até os 18 meses, alguma coisa você fez de errado.

Hoje em dia o criador não tem mais espaço para amadorismo, tem que colocar os investimentos no papel, não se esquecendo que os custos de um potro bem criado são altos e você os banca à vista por três anos e depois, vende o animal para receber o pagamentoem, no mínimo, 24 meses.

Quando chegar à hora da competição, a situação ficará ainda pior. Como dizemos na Corrida, “o cronometro separa o homem dos meninos”, portanto, produzam menos, mas sempre com muita qualidade. Desta forma, asseguro-lhe que todos irão se dar bem.

Muito mais rentável e divertido é você ser proprietário de um Quarto de Milha seja de velocidade ou de trabalho, você se diverte com a família e os amigos, e ainda tem a chance de tirar um craque, ganhar prêmios em dinheiro, troféu! E na hora de vender, se deu craque vende por alta soma, se deu mais ou menos recupera o investimento se deu ruim, perde pouco e ainda se divertiu muito. Os criadores vão te tratar com muita importância, pois você é um bom cliente!

Somos criadores a mais de 60 anos, 30 dos quais, no Puro Sangue Inglês através de meu pai e outros 30 no Quarto de Milha, por isso “TEIMOSAMENTE APAIXONADOS” continuamos criadores.

 

Retirado da Revista “Tambor e Baliza”  Edição nº 40

Por Joca Calfat

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